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    Blog de Sylvie Boechat


    Minha modesta composição

     

    Olhando para a beleza dessa manhã, pensei no quanto gostaria de um destino hoje: o das areias de Itapuã.

    E como ainda não descobrir o meio de me "tele-transportar" para lá, resolvi “caminhar” pelo meio mais fácil que se tem para se levar a algum lugar. Através das palavras.

    Como normalmente tem acontecido, faz tempo que não as uso.

    Atualmente, elas têm sido mais econômicas, em composições de, no máximo, duas linhas, pelo meio atual mais próximo de se chegar até as pessoas.

    Mas palavras pulsam por dentro e, de vez em quando, explodem como as pipocas de reclame de guaraná.

    E a sina da vida continua, a despeito de parecer uma composição interrompida.

    E o bom é que seja assim, sem melodia previsível, ou refrão que se repita de modo exatamente igual.

    A riqueza das composições está na imprevisibilidade de suas versões.

    É claro que há canções e interpretações definitivas. Eu não ousaria discordar.

    Mas quem não se emociona ao ouvir, por exemplo, Oscar Peterson viajar na interpretação de “Wave”, ou qualquer canção de Cole Porter ser transformada em pluma por Ella Fitzgerald?!

    Ontem foi o dia do compositor.

    Homenagens não poderiam faltar a esses seres de luz, que transformam ingredientes, dos mais inóspitos, em manjares dos deuses, reveladores de sentimentos.

    Como exemplo, uma das pérolas de Aldir Blanc e João Bosco...

    “Eu descobri que a alegria, de quem está apaixonado, é como a falsa euforia de um gol anulado.”

    Ou mesmo Noel Rosa, chorando seu "último desejo":

    “...e às pessoas que eu detesto, diga sempre que eu não presto, que o meu lar é um botequim...e que eu  arruinei a sua vida, que eu não mereço a comida que você pagou prá mim!”

    Oras.  “Viver, valeu”, como diria Gonzaguinha, apenas pelo prazer de ouvir algo assim!

    Mas, "para quem quer se soltar", Ronaldo Bastos, inventou um “cais”.

    Tom Jobim louvou as musas. Nunca mais Ângelas, Luísas, Lígias, foram pessoas quaisquer.

    E o Chico Buarque, então?! Esse arrancou todos os suspiros da alma feminina, pela tradução de sua profundidade.

    O Gil – esse é o cara! - me desmanchou ao fazer do encontro da “linha e o linho” a mais bela das canções de amor que se tem notícia.

    Caetano, na sabedoria de um “compositor de destinos”, louvou o Tempo.

    "Tempo, tempo, tempo, tempo..."

    O tempo não passa, nem passou, para esses poucos exemplos de uma rede incrível de compositores.

    Quisera eu poder relacionar a todos e compor para eles a minha canção.

    Mas já que não é possível ser assim, que as “letras de macarrão”, nos dizeres de Edu Lobo, façam um “poema concreto”, para que se possa "mergulhar na surpresa" de um som de Maurício Pereira.

    Assim, deixo, modestamente, a declaração explícita de que, a todos, eu amo.

    E a você, Caymmi, na estrela onde estiver, deixo viva a minha “Marina” e as saudades daquelas  “areias de Itapuã”.

    Sylvie



    Escrito por Sylvie às 09h35
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    Lavando a roupa

     

    Já é quase hora de virar abóbora, ou melhor, na visão atual de Woody Allen (in "Midnight in Paris"), ser "Cinderela em  Paris", e me bateu uma vontade danada de voltar a escrever novamente as minhas emo-percep-ções...


    Mas ao mesmo tempo, a vida real também chama a algo menos poético como lavar a roupa que se pede para o trabalho. E o dilema: o que fazer agora, afinal?

    No fim das contas, todas as metáforas se misturam nas saudosas e necessárias letras de macarrão, e a prosa se exige sair pela vida que pulsa novamente por acontecer, acontecendo.

    Por questões da vida, me afastei do blog, num silêncio necessário e de algum temor.

    Não deixou de ser um tempo de opção por lavar a roupa, discreta e distante das letras. A assepsia se fez urgente, a vida por outro lado se fez presente e pulsante dos sonhos que antevi em meu penúltimo texto.

    2011 precisava, de fato, começar,...com a idealizada energia e otimismo que absorvi das chamas da fogueira da “virada” na Mata da Chuva, ou das palavras da minha filha ao me ver sofrendo com as dores do fim de 2010: “ - Mamãe, deixa isso para lá,...foco na piscina!”

    (Aliás, a sabedoria infantil me deu golpes profundos - e dilacerantes - de maturidade nesse período...)

    De todo modo, foi necessário me manter silente e reverente aos turbilhões.

    Mas, como a vida é uma parábola matemática, ora caímos, ora subimos, e nenhuma “tsunami” dura para sempre.

    Nesse primeiro semestre, até o Japão a encarou de forma devastadora e, com a sua contumaz sabedoria de renascer, vem se reconstruindo com a com rapidez e grandeza de um povo que sabe bem o conceito de nação.

    Enfim, falta cinco para a meia-noite. E, como não estou em Paris, os encontros com Cole Porter e mestres da literatura não serão o destino dessa Cinderela, como o foram para o atual personagem de Woody Allen. Estou mais para Gata Borralheira e um tanque de roupas para lavar.

    Mas como a poesia só não tem quem não quer, um bom CD torna tudo possível e, no auge das boas emoções desse novo período, até sou capaz de dizer frente ao tanque:

    "It´s delightful, it´s delicious, it´s de-lovely!"

    Boa noite, Cole.

    Sylvie



     



    Escrito por Sylvie às 00h07
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    Para quem vai o meu 05/02/2011...

    Eu tenho um tio. E hoje ele comemora 60 anos.

     

    Mal dá para acreditar que com tanta vida saindo pelo ladrão, ele esteja comemorando tal idade. Mas o tempo é implacável e os números se somam.

     

    Para o espírito dele, cada segundo não é algo que se possa jogar fora. A felicidade está adiante, mergulhada em surpresas nem sempre fáceis de identificar, mas ele não admite preguiça para encontrá-la e dela se apoderar. A vida, por si mesma, urge...

     

    Difícil encontrar alguém que seja tão disposto assim e saiba usar do tempo com tanta propriedade...Ainda bem que o encontrei, há mais de três décadas!

     

    Com ele, ouço o chamado da vida, e aprendo algumas artes para identificar onde mergulha a tal felicidade.

     

    Assim, o que tenho percebido é que essa “dona” é como água de rio. Água que corre, nunca pára. E atravessa desníveis de terreno, altos e baixos, e circunda pedras no meio do caminho. E o que posso ver, é que está ali, sempre adiante, sempre na frente do meu olhar.

     

    Com isso, percebo também, que como água de rio, felicidade é um imenso e infinito rio doce em movimento, e é impossível tomar toda a sua água em apenas uma dose. Seria uma baita pretensão. E ninguém tem mãos tão grandes assim, para tanto.

     

    É por isso que felicidade não é estática. É por isso que felicidade não dura para sempre. (É só lembrar que a água escorre pelas mãos, se não sabiamente postas em “conchinha” para segurá-la.).

     

    Mas, por outro lado, é também por isso que felicidade não se vive sozinha. Um rio não tem a sua grandeza para apenas um único deleite. Que graça teria mergulhar nele, sem alguém para brincar junto?!

     

    Enfim, Tio Léo (como o chamamos) é um homem que soube e sabe enxergar esse rio em movimento. E nos convida continuamente para esse mergulho, quando nos passa a dimensão da importância de estarmos unidos em família (a despeito de todas as suas vicissitudes e idiossincrasias); quando nos chama a contemplar a natureza em todas as suas belezas nem sempre óbvias e visíveis (ele é um fotógrafo de detalhes e sutilezas!); quando compartilha as suas e as nossas dores e alegrias (estando presente mesmo a milhares de quilômetros de distância); quando, enfim, nos repete a importância de amar e a lutar pelo amor, sobretudo (!), contando-nos o segredo de que este amor, como o rio que segue, quase sempre, está bem à nossa frente, resta a nós reconhecê-lo e dele se apoderar.

     

    É para ele o meu mergulho de hoje. Com carinho e saudade.

     

    E para todos os demais, faço igual convite. No meu rio, eu quero mais é brincar junto.

     

    São Paulo, 05 de fevereiro de 2011.

     

    Sylvie




    Escrito por Sylvie às 11h22
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    Hora de virar a página...

    Mais literal do que simbolicamente, ao abrir o Moleskine vermelho presenteado no Natal de 2009, senti, de imediato, a necessidade de virar a página.

    Em cerca de metade do "caderninho de Picasso", fizeram parte anotações de sonhos pessoais e profissionais que, hoje, talvez não tenham mais sentido, seja pelo aborto espontâneo ou o traumático, vividos no tempo de fechar ciclos de 2010.

    No entanto, é curiosa a necessidade de “palavrear” as emoções, com a junção harmônica das letras de macarrão.

    Essa verborragia, ingênua ou ridícula para alguns, é urgente e terapêutica para mim. E isso sim, literalmente.

    Há anos concentrada na subsistência pessoal ou de outrem, não tive muito espaço financeiro para confrontar os meus anseios e devaneios com algum profissional especializado e imparcial, a quem pudesse depositar a esperança por abrir-me em respostas.

    Ao contrário. Estive sozinha, muitas vezes, com as minhas emoções e tive, eu mesma, que depurá-las, refleti-las e transformá-las em caldo diferente e suportável para o meu próprio paladar.

    Nessas horas mais críticas, um violão se fez urgente, o dançar descontrolado no meio da sala em alto e bom som, ou mesmo o radical corte de cabelos, serviram como drogas para esse suportar. E, sinceramente, creio que tenha conseguido, de forma ora mais, ora  menos equilibrada, superar as agruras da vida.

    O fato é que palavras se fazem urgentes. Palavras de esperança que sejam.

    Terminei 2010 com “ouvidos cansados”, questionada ou questionando-me em todas as esferas da vida, acerca da justiça das coisas, pessoas e situações.

    Ainda me sinto sob os efeitos especialmente da tsunami do último mês.

    Ontem, ao assistir à primeira cena de “Além da vida” de Clint Eastwood, entendi o quanto uma onda, apenas uma, pode trazer de conseqüências para alguém. E a cena me roubou um silêncio e uma emoção.

    É por isso que em 2011 pretendo dispensar o cansaço dos ouvidos para viver as “línguas cansadas”, com toda a sorte de prazeres que elas podem proporcionar, quem sabe no amor, no convívio alegre com as minhas amizades, e, ainda, e por que não(?), na ousadia de cantar canções.

    Que tudo aconteça para que eu cante, cante mais. 

    E "que seja doce" (Caio F.).

    Sylvie



    Categoria: pessoal
    Escrito por Sylvie às 01h33
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    www.movimentocontraolinfoma.com.br

     

     



    Categoria: abrale
    Escrito por Sylvie às 11h55
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    http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI170446-15257,00-R+POR+UMA+VIDA+TRECHO.html



    Escrito por Sylvie às 10h41
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    Uma triste constatação...

     

    O Brasil está doente, cronicamente doente. E temo que, como em tantas outras hipóteses, não haverá remédio “disponível no SUS” para tratar do seu mal. Também não haverá liminar em ação judicial que venha dar jeito para obrigar as instituições a cumprirem o seu papel de tentar melhorar a “sua saúde”. Por fim, talvez nem sobrará espaço para que a imprensa se digne a alertar a presença desse mal e dar calor à notícia a justificar sua publicação, porque “vende pouco”.

    Lamentavelmente, o Brasil está tomado pela alienação, pela apatia e, o mais triste, pelo completo descaso com a vida humana.

    Gostaria de estar enganada em relação a isso, com o fio de esperança que me resta em relação à expectativa de ouvir os resultados das urnas no próximo dia 3 de outubro, mas, a cada dia que passa, me sinto cada vez mais descrente pelo cenário que tem sido desenhado a favor de personagens circenses, celebridades e corruptos popularmente conhecidos.

    Feita essa digressão, sou levada a lembrar das palavras finais do poema de Bertold Brecht: “...mas há homens que lutam por toda a vida, e esses são os imprescindíveis”, quando paro para pensar na história do “personagem da semana”, retratado na capa da Revista Época (edição nº 643, de 10/09/2010), que tem trazido, pelo menos para alguns, o grito de inconformismo diante de absurdos que dão a dimensão da cronicidade da nossa doença social e institucional. Explico.

    Em poucas palavras, como “crônica de uma morte anunciada”, Fábio de Souza do Nascimento, uma criança de 14 anos que lutou por toda a sua vida contra um câncer linfático, vencendo etapas notoriamente importantes, como passar anos dentro de hospitais, encontrar um doador compatível e realizar um transplante de medula óssea, morreu, após todo esse esforço de sobrevivência iniciado nos seus tenros anos, em virtude de o Estado brasileiro não lhe fornecer a tempo, um balão de oxigênio para o tratamento de problemas respiratórios devido a complicações comuns do pós-transplante, cujo custo mensal não passaria de R$ 520,00, porque discutia-se qual ente federativo (União, Estado ou Município) seria o competente para fornecê-lo (quando sabidamente a responsabilidade entre eles é solidária), deixando, assim, que o ar ficasse cada vez mais rarefeito para o menino, até lhe levar ao fim, “morrendo na praia”, no caso, no Rio de Janeiro.

    Esse guerreiro “imprescindível”, dentro do contexto dado por Brecht, teve seu futuro de glórias interrompido porque não teve acesso à integralidade da assistência prometida constitucionalmente pelo SUS. Mesmo assim, incessantemente, recorreu às instâncias jurisdicionais para pedir apoio, e ainda que tivesse obtido uma “liminar” – que atualmente tem sido a única esperança de exercício do direito à saúde - não teve o esforço suficiente dos envolvidos no processo e das instituições que deveriam lhe dar guarida para que ela tivesse seu efetivo cumprimento. Pelo jeito, também não teve quem se empenhasse para dar visibilidade ao seu problema, enquanto ainda lhe restavam meses de vida, uma vez que a notícia de sua história só veio a público após um mês da sua morte e não nos absurdos 6 meses em que ele esperava pelo cumprimento da vulgarizada “liminar”! Possivelmente, se ao menos isso tivesse sido feito antes, talvez o desfecho desse drama pudesse ser outro: seja pela doação do equipamento por uma alma caridosa ou pela ação de organizações de pacientes atuantes em seu favor.

    Ora, quantos culpados nesse processo de agonia, meu Deus!

    Com um histórico de superação que, por ironia (pasmem!), ainda lhe rendeu ser o personagem ilustrado na capa da Cartilha de Direitos dos Pacientes do INCA, Fabinho foi abandonado à própria sorte, morrendo vítima do detalhe, da falta de providência menor, considerando todo o tratamento anterior e caro pelo qual havia passado.

    Por isso, lamento pela nossa doença social e institucional. E pela sua cronicidade. Ou seja, já que o mal está instaurado, convivemos com ele sem nos movimentar para tentar curá-lo, com o mesmo esforço de quem luta por uma doença de sintomas agudos.

    Fabinho morreu como exemplo de um “homem imprescindível”, que lutou por toda a sua vida, a despeito de ter sido ela interrompida tão precocemente. Resta saber se nós, dentro do papel social que nos cabe, seremos, igualmente, agentes transformadores da nossa própria doença, ou morreremos vítima da passividade e da perda da capacidade de espanto.

    Assim, fica o convite para que, juntos, como células combativas e integrantes de um corpo de um guerreiro, digamos não contra esse estado de coisas, especialmente em relação às deficiências do SUS (do qual somos financiadores, lembrem-se!), cobrando dos responsáveis a reparação de fatos escabrosos como esse, dos quais qualquer um de nós poderia, ou, por que não(?), ainda poderá, ser vítima.

     

    São Paulo, 16 de Setembro de 2010.

     

    Sylvie Boëchat

    Advogada e Gerente de Apoio ao Paciente e Políticas Públicas

    ABRALE – Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia

    sylvie@abrale.org.br

      



    Escrito por Sylvie às 10h37
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    Preciso da nudez das palavras derramadas. A vida que escorre nas entrelinhas.

    Tem horas que penso não precisar mais delas, mas a vida que pulsa pede esse ar, que às vezes falta e me faz sentir o desespero de sua ausência.

    Palavras nuas, como nos tempos da completa solidão. A solidão que não limita o revelar-se. A solidão que esconde em si uma plena liberdade, inclusive a do grito, do desconforto, de mencionar a incompreensão de tantas coisas.

    Talvez os goles do Gim ainda recente proporcionem esse pulsar. Talvez a revolta do não que se ouve quando não se espera que ele venha. Talvez a perplexidade vinda do não entendimento.

    Sei que tudo isso está muito vago, mas saberei identificar os enigmas por detrás de tais sentimentos.

    Tais palavras não são para ninguém e delas não espero comentários.

    Perdoem-me, mas sou a única destinatária de tudo isso. Escrevo agora como no diário íntimo da minha alma (talvez) confusa.

    Essa nudez necessária se equipara aos acordes do violão que tocaria, ou a noite em que mergulharia  em pleno baile para dar vazão aos sentimentos e renovar as energias, apagando desconfortos do ontem.

    Muitas são as dúvidas, e as respostas não convincentes.

    Ainda espero porque acredito, mas não sem uma certa dose de aflição.

    Será que inverteram meus papéis por alguma vingança da vida?

    Sei não...sei que o Gim me tomou, e não eu a ele.

    Melhor deixar para lá. A cama espera como colo quente. 

    Mas grata sou às palavras que aliviam a alma dos porres e permitem fazer-me nua, sem estardalhaço e ofensa a ninguém. 

    Que venha um novo dia. Preciso da renovação de uma nova manhã...e talvez um Engov.

    Sylvie

     



    Categoria: pessoal
    Escrito por Sylvie às 02h50
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    Compartilhando...

    Há tempos envolvida com os projetos da ABRALE - Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia, vínhamos travando, há mais de ano, uma incansável batalha junto ao Ministério da Saúde a fim de obter melhores condições de tratamento, especialmente para o linfoma, uma doença que, apesar de acometer gente famosa e "presidenciável", nem há registro epidemiológico no país por falta de interesse público!
     
    Assim, em novembro/09, produzimos o Manifesto do Linfoma, e em poucas semanas, colhemos as assinaturas de cerca de 24 mil pessoas
    em apoio. Com isso, levamos o documento no MInistério da Saúde e desde, então, vínhamos pressionando os responsáveis para que houvessem mudanças.
     
    Felizmente, nessa semana, conseguimos avançar um grande passo, pois a droga essencial para o tratamento, e que não era disponível para os pacientes de SUS poderá ser por eles utilizada...
     
    Além disso, 9 outros tratamentos para diversos tipos de câncer também serão contemplados, inclusive para o tratamento das leucemias, que também são doenças de foco da associação.
     
    Portanto, como não dá para se brindar sozinho, nada mais gostoso do que propor a vocês (meus amados e amadas!) um convite para tanto!
     
    Abraços a todos e saudades...

    Sylvie




    Categoria: abrale
    Escrito por Sylvie às 23h55
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    Tão longe, tão perto...

    Ando um pouco esquecida de você, meu caro blog. Mas, a vida tem pedido que seja assim.

    O semestre quase termina e tantas águas correram por debaixo dessa ponte...

    Já não sei o que dizer a respeito, a que fatos comentar, mas ao começar a escrever essas notas fui interrompida por uma ligação de um grande amigo que está em Paris, jantando, agora, ao som de um delicioso piano tocado por um brasileiro (que me fez ouvir no telefone!), e teve vontade de me ligar pela lembrança e saudade vinda do meu lado "tão musical"...

    Que delícia ser lembrada por isso...Que delícia ter os amigos que eu tenho...

    Hoje tive mais uma prova da profundidade desse vínculo, no qual a confiança e a solidariedade é algo que não se discute...

    Não mencionarei os fatos, mas apenas as poucas palavras que precisei dizer para ouvir um carinhoso "Sim, querida, pode contar comigo!"

    Chorei. Chorei de alívio e felicidade. Chorei de carinho e gratidão.

    E a vida tem cada coisa...na mesma tarde, do outro lado da linha, uma família querida inteira chorava pela emoção do auxílio que pude lhes prestar.

    Assim é o ciclo da solidariedade, como deveria ser o ciclo da vida de todos nós.

    Qualquer hora eu continuo...Agora quero pensar nessas circunstâncias de ter ficado romanceada, levando a melhor energia para essas pessoas tão queridas que me circundam,...mesmo tão longe, mas tão perto.

    Obrigada, Titilu, Zeedu e Família Asprino, por serem pílulas de bençãos nesse meu dia.

    Sylvie



    Escrito por Sylvie às 17h45
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    Uma pequena contribuição social...

    http://tvbrasil.ebc.com.br/reporterbrasil/video/6734/



    Escrito por Sylvie às 14h36
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    A Páscoa está chegando!

    Caros Leitores e Amigos,
    Páscoa é tempo de renascimento e renovação.
     
    Tomando por exemplo os cristãos, com a ressurreição de Cristo tem-se a perspectiva de salvação dos pecados; em relação ao povo judeu, tem-se a sua libertação do domínio egípcio...Em ambos os casos, essa comemoração anual promove a renovação da esperança por dias melhores...
     
    Não importa qual seja a sua visão do assunto, creio que vale à pena pensarmos em nos rever internamente quanto a isso, e por isso escrevo...
     
    Tenho convivido diariamente com a realidade de pessoas para quem a esperança é tudo em que se agarram para sobreviver. De fato, num cenário de doença, essa realidade é muito visível e concreta. O "culto" diário da esperança para essas pessoas é fundamental...E acredito que seja por essa razão que muitas pessoas que se descobrem doentes dizem sentir uma grande modificação interna em suas vidas em prol de melhores sentimentos e momentos de convívio intenso e feliz com quem se ama, sem perda de um instante sequer.
     
    Mas, às vezes, esquecemos que nós - ainda que mantenhamos um estado (ao menos aparente!) de saúde -  passamos por momentos em que a esperança parece estar bem distante de nós...Problemas reais - e outros tantos imaginários - nos consomem; a vida parece vazia muitas vezes; nos frustramos por não ter o que sonhamos; a vida material parece não ser nunca suficiente...E o tempo vai passando e a "tal" da esperança fica em qualquer canto das nossas "gavetas"...
     
    Assim, nessa oportunidade de celebração, seja qual for o seu credo, convido-os a verdadeiramente entrar no time dos que "esperam".
     
    Renasça na Páscoa com as "boas novas" que ela traz...Afinal, de um cenário de sofrimento e morte, Jesus veio para salvar os cristãos, da mesma forma que a liberdade chegou ao povo judeu. E isso é só alguns dos exemplos...
     
    Esperar, portanto, é acreditar...
     
    Por isso, meus votos nestes dias a vocês, meus queridos, são para que todos façam renascer seus melhores sentimentos, compartilhando-os com familiares, amigos, colegas de trabalho, pacientes, estranhos, etc, semeando, assim, as melhores energias para esse mundo...Além disso, dêem um "up grade" na sua fé, renovando os seus sonhos e perspectivas, com uma verdadeira injeção de calor na sua própria esperança, em momentos que se propuserem a refletir sobre isso.
     
    Penso que nesse clima de comunhão e confraternização, o gosto dos ovinhos de chocolate deva ser bem mais saboroso e duradouro.
     
    Tenham todos excelentes dias e uma ótima e verdadeira Páscoa!
     
    Deus os abençoe.
     
    Abraços.
    Sylvie
     


    Escrito por Sylvie às 16h22
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    Oração ao Tempo



    Escrito por Sylvie às 00h24
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    Tempo, tempo, tempo, tempo

    "Compositor de destinos", o Tempo tem passado e criado um belo e doce arranjo de sons.

    Poucos instrumentos: um piano e um violoncelo. E, por ora, nada mais é necessário.

    Complemento, sinergia e cumplicidade. Essas são as melhores palavras para expressar as notas dessa peça.

    E a vida transcorre o seu curso em tempo de paz. Porque todo o resto pode ser superado quando não se está só, e tem-se a certeza das mãos entrelaçadas.

    Nós vamos assim. E assim a gente vai...

    Por isso, faltam palavras e sobram sentimentos.

    Me perdoem os aflitos por elas. Mas escreve-se muito menos quando se está vivendo.

    E a minha escolha é por ela, a vida.

    Feliz que esteja sendo assim.

     

     



    Escrito por Sylvie às 00h18
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    Impossível?

    Seu nome: ITACIARA.

     

    ITA para mim foi fácil descobrir, uma vez que passei boa parte da infância freqüentando a praia quase deserta de ITAOCA, onde por detrás da “casa de pedra”, assistia, com meu saudoso avô, o nascer de luares de uma vermelhidão magnífica ao fim do horizonte.

     

    No entanto, para o CIARA, foi preciso pedir uma cola para a própria, e no conjunto formar a expressão “pedra preciosa”: ITACIARA.

     

    Aí, calei-me. Não poderia ser diferente.

     

    Pois bem.

     

    Aos nove anos, ITACIARA descobriu-se portadora de leucemia mielóide crônica e, num esforço de sua família, feita “de amor” e não de laços consangüíneos, percorreu os infinitos quilômetros de Manaus a São Paulo, para se submeter a um protocolo de tratamento, sem sucesso, e uma tentativa de outro, ainda experimental, com Imatinib.

     

    Difícil transcrever em palavras todos os dramas e notas de superação, mas o fato que mais toca o coração é que, em virtude de ser portadora de uma grave doença crônica, suas perspectivas de fertilidade futura eram conhecidamente remotas.

     

    Mas, com a firmeza de uma rocha, ITACIARA cresceu, ainda como paciente desse mal, submetendo-se, cotidianamente, aos comprimidos de Imatinib, o que lhe reduzia, ainda mais, qualquer perspectiva de produção de um fruto.

     

    No entanto, assim como aqueles luares milagrosos de outrora, ITACIARA surpreendeu-se com uma inesperada gravidez, mas que, por suas condições, era considerada de alto risco, e mais, agravada por um quadro de diabetes e hipertensão.

     

    Naquele momento, prova sua grandeza a opção pela suspensão de seu tratamento com o Imatinib, durante a gestação, para preservação do feto, por mais adversas que fossem as circunstâncias e os riscos de sua própria vida.

     

    Muitas outras limitações também lhe foram impostas no período, como dietas rigorosas em sabores e horários, e o repouso forçado para alguém cheia de energia em prol do trabalho voluntário.

     

    Mas, com a força de um diamante,  “o mundo viu brotar uma flor do impossível chão”- perfeito, cheio de saúde e reflexo da energia colorida da superação, IAN nasceu em 31 de Janeiro de 2009.

     

    Pois hoje, ao comemorar o primeiro ano dessa pequena e linda vida improvável, ITACIARA repete o pensamento que só ocorre aos sábios:

     

    “O grande prazer da vida é fazer o impossível.”

     

    Para você, ITACIARA, vai a minha homenagem, com a canção que reflete a força da mais linda pedra preciosa que é você.

     

     

     

    Sonhar
    Mais um sonho impossível
    Lutar
    Quando é fácil ceder
    Vencer
    O inimigo invencível
    Negar
    Quando a regra é vender
    Sofrer
    A tortura implacável
    Romper
    A incabível prisão
    Voar
    Num limite improvável
    Tocar
    O inacessível chão

    É minha lei, é minha questão
    Virar esse mundo
    Cravar esse chão
    Não me importa saber
    Se é terrível demais
    Quantas guerras terei que vencer
    Por um pouco de paz

    E amanhã, se esse chão que eu beijei
    For meu leito e perdão
    Vou saber que valeu delirar
    E morrer de paixão

    E assim, seja lá como for
    Vai ter fim a infinita aflição
    E o mundo vai ver uma flor
    Brotar do impossível chão

     

    Composição: Joe Darion, Mitch Leigh (versão em português de Chico Buarque)

     

    Deus os abençoe!

     

    Sylvie

     

     



    Escrito por Sylvie às 17h19
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