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    Blog de Sylvie Boechat


    Diários em notas musicais

    A música transborda os sentimentos e me rouba as palavras.

    Recentemente aprendi a postar vídeos no blog e vivo um tempo de noturnas descobertas de grandes preciosidades, que me trazem alegrias, saudades, sonhos e canções.

    É a linguagem universal que transcende a obviedade dos meus verbos e se basta para provocar, emocionar e dizer-se.

    Por isso, perdoem-me, leitores, por esse tempo de "coleções" e poucas palavras.

    Sylvie



    Escrito por Sylvie às 23h58
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    A lua de uma saudade



    Escrito por Sylvie às 23h53
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    Vísceras expostas da alma



    Escrito por Sylvie às 23h40
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    A delicadeza da profundidade



    Escrito por Sylvie às 23h36
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    Deixando e-ternas saudades...

    Gracias A La Vida

    Graças à Vida

    Gracias a la vida que me ha dado tantoGraças à vida que me deu tanto
    Me dio dos luceros que cuando los abroMe deu dois luzeiros que quando os abro
    Perfecto distingo lo negro del blancoPerfeito distinguo o preto do branco
    Y en el alto cielo su fondo estrelladoE no alto céu seu fundo estrelado
    Y en las multitudes el hombre que yo amoE nas multidões o homem que eu amo
    Gracias a la vida que me ha dado tantoGraças à vida que me deu tanto
    Me ha dado el oído que en todo su anchoMe deu o ouvido que em todo seu comprimento
    Graba noche y día grillos y canariosGrava noite e dia grilos e canários
    Martirios, turbinas, ladridos, chubascosMartírios, turbinas, latidos, aguaceiros
    Y la voz tan tierna de mi bien amadoE a voz tão terna de meu bem amado
    Gracias a la vida que me ha dado tantoGraças à vida que me deu tanto
    Me ha dado el sonido y el abecedarioMe deu o som e o abecedário
    Con él, las palabras que pienso y declaroCom ele, as palavras que penso e declaro
    Madre, amigo, hermanoMãe, amigo, irmão
    Y luz alumbrando la ruta del alma del que estoy amandoE luz iluminando a rota da alma do que estou amando
    Gracias a la vida que me ha dado tantoGraças à vida que me deu tanto
    Me ha dado la marcha de mis pies cansadosMe deu a marcha de meus pés cansados
    Con ellos anduve ciudades y charcosCom eles andei cidades e charcos
    Playas y desiertos, montañas y llanosPraias e desertos, montanhas e planícies
    Y la casa tuya, tu calle y tu patioE a casa sua, sua rua e seu pátio
    Gracias a la vida que me ha dado tantoGraças à vida que me deu tanto
    Me dio el corazón que agita su marcoMe deu o coração que agita seu marco
    Cuando miro el fruto del cerebro humanoQuando olho o fruto do cérebro humano
    Cuando miro el bueno tan lejos del maloQuando olho o bom tão longe do mal
    Cuando miro el fondo de tus ojos clarosQuando olho o fundo de seus olhos claros
    Gracias a la vida que me ha dado tantoGraças à vida que me deu tanto
    Me ha dado la risa y me ha dado el llantoMe deu o risoe me deu o pranto
    Así yo distingo dicha de quebrantoAssim eu distinguo fortuna de quebranto
    Los dos materiales que forman mi cantoOs dois materiais que formam meu canto
    Y el canto de ustedes que es el mismo cantoE o canto de vocês que é o mesmo canto
    Y el canto de todos que es mi propio cantoE o canto de todos que é meu próprio canto
    Gracias a la vida, gracias a la vidaGraças à vida, graças à vida

    Violeta Parra



    Escrito por Sylvie às 01h14
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    Para ver...



    Escrito por Sylvie às 00h43
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    e para ouvir...



    Escrito por Sylvie às 00h39
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    Umas e outras da cabeceira I

    Para o casal é outra história. Que há casais fiéis e outros não, é uma verdade de fato, que não parece, ou já não parece, atingir o essencial. Pelo menos se entendemos por fidelidade, nesse sentido restrito, o uso exclusivo, e mutuamente exclusivo, do corpo do outro. Por que só amaríamos uma pessoa? Por que só desejaríamos uma pessoa? Ser fiel a suas idéias não é (felizmente!) ter uma só idéia; nem ser fiel em amizade supõe que tenhamos um só amigo. Fidelidade, nesses domínios, não é exclusividade. Por que deveria ser diferente no amor? Em nome do que poderíamos pretender o desfrute exclusivo do outro? É possível que isso seja mais cômodo ou mais seguro, mais fácil de viver, talvez, no fim das contas, mais feliz, e, enquanto houver amor, até acredito que seja. Mas nem a moral nem o amor parecem-me estar presos a isso por princípio. Cabe a cada um escolher, de acordo com sua força ou com suas fraquezas. A cada um, ou antes a cada casal: a verdade é valor mais elevado do que a exclusividade, e o amor me parece menos traído pelo amor (pelo outro amor) do que pela mentira. Outros pensarão o contrário, talvez eu também, em outro momento. Não é isso o essencial, parece-me. Há casais livres que são fiéis, à sua maneira (fiéis ao seu amor, fiéis à sua palavra, fiéis à sua liberdade comum…). E tantos outros, estritamente fiéis, tristemente fiéis, em que cada um dos dois preferiria não o ser… O problema, aqui, é menos a fidelidade do que o ciúme, menos o amor do que o sofrimento. Não é mais meu tema. Fidelidade não é compaixão. Serão duas virtudes? Sem dúvida, mas, justamente: são duas. Não fazer sofrer é uma coisa; não trair é outra, e é o que se chama fidelidade.

    O essencial é saber o que faz com que um casal seja um casal. O simples encontro sexual, por mais repetido que seja, não bastaria evidentemente para tanto. Mas também não a simples coabitação, por mais duradoura que seja. O casal, no sentido em que uso a palavra, supõe tanto o amor como a duração. Supõe, portanto, a fidelidade, pois o amor só dura sob a condição de prolongar a paixão (breve demais para fazer um casal, suficiente para desfazê-lo!) por memória e vontade. É o que significa o casamento, sem dúvida, e que o divórcio vem interromper. Se bem que… Uma amiga minha, divorciada, depois recasada, dizia-me que permanecia fiel, em alguma coisa, a seu primeiro marido. “Quero dizer”, explicou-me, “ao que vivemos juntos, a nossa história, a nosso amor… Não quero renegar tudo isso.” Nenhum casal, com maior razão, poderia durar sem essa fidelidade, em cada um, à sua história comum, sem esse misto de confiança e de gratidão pelo qual os casais felizes (há alguns) se tornam tão comoventes, ao envelhecer, mais até que os namorados que começam, que, na maioria dos casos, ainda não fazem mais que sonhar seu amor. Essa fidelidade me parece preciosa, mais que a outra, e mais essencial ao casal. Que o amor se aplaque ou decline, é sempre o mais provável, e é bobagem afligir-se com isso. Mas quer se separe, quer continue a viver junto, o casal só continuará sendo casal por essa fidelidade ao amor recebido e dado, ao amor partilhado e à lembrança voluntária e reconhecida desse amor. Fidelidade é amor fiel, dizia eu, e assim é também o casal, mesmo o casal “moderno”, mesmo o casal “livre”. A fidelidade é o amor conservado ao que aconteceu, o amor ao amor, no caso, amor presente (e voluntário, e voluntariamente conservado) ao amor passado. Fidelidade é amor fiel, e fiel antes de tudo ao amor.

    Como eu poderia jurar que sempre te amarei ou que não amarei outra pessoa? Quem pode jurar seus sentimentos? E para que, quando não há mais amor, manter a ficção, os encargos ou as exigências do amor? Mas isso não é motivo para renegar ou não reconhecer o que houve. Por que precisaríamos, para amar o presente, trair o passado? Eu juro não que sempre te amarei, mas que sempre permanecerei fiel a esse amor que vivemos.

    O amor infiel não é o amor livre: é o amor esquecidiço, o amor renegado, o amor que esquece ou detesta o que amou e que, portanto, se esquece ou se detesta. Mas será isso ainda amor?

    Ama-me enquanto desejares, meu amor; mas não nos esqueça.

     Andre Comte Sponville - Pequeno Tratado das Grandes Virtudes



    Escrito por Sylvie às 00h06
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