Fiquei "mexida" com a pergunta ressonante de "Amor nos tempos do cólera".
O livro de capa azul, de Gabriel Garcia Márquez, que algumas vezes pairou sobre o criado-mudo em tentativas indas e vindas de leitura, acabou se sucumbindo à versão em DVD...
Talvez a necessidade de assimilar a vergonha de não ter concluído a leitura no seu tempo, talvez o pretexto de ver o galã (Javier Barden) - que, aliás, é sempre um ótimo pretexto para mergulhar na telona ou telinha - enfim, sabe-se lá qual a razão que me levou a querer ver o filme ontem.
O presente: a própria estória, lindamente traduzida em película (ainda que eu esteja certa de que o livro é muito melhor)...e uma surpresa: Fernanda Montenegro arrasando no papel de Tránzito Ariza, a mãe de Florentino.
E a pergunta que não quis calar...
Isso tudo me fez lembrar de "A ponte para o sempre", de Richard Bach, mais uma literatura de amor sobre o amor...e, curioso é que a lembrança me fez subir na cadeira para retirar o livro da estante e abri-lo, aleatoriamente na página 161, onde reinava um único poema:
"O azul sereno e luminoso do amanhecer
A se intensificar com o dia
Azul...mais azul...o mais azul,
Nuvens brancas de prazer,
Alegria transbordando,
Até o pôr-do-sol
Envolvendo-nos em suave rosa
E nos fundindo numa
Despedida de magenta ardente,
Alma-Terra e alma-Cósmica
Explodindo com beleza.
Quando a noite chegou,
A lua nascendo
Riu de lado no escuro.
Também ri
E pensei:
No outro lado do mundo
O seu céu
Está repleto com esse mesmo
Riso dourado,
E esperei que você,
Olhos Azuis Cintilantes,
Visse e ouvisse,
A fim de que nós três, de alguma forma,
Nos juntássemos em nossas alegrias,
Cada um em seu próprio espaço,
Juntos apartados,
A distância não importa.
E eu dormi
Num mundo
Cheio de sorrisos."
O acaso é mesmo o desdém dos céticos.
Não é à toa que ando tão enamorada da Lua nos últimos dias.